MATERIALIDADES DA REPRESSÃO: LINGUAGEM, IDEOLOGIA E PODER NOS ARQUIVOS DA DITADURA MILITAR BRASILEIRA
Alessandra Niz Silva, Melissa Sayuri da Silva Belarmino
Resumo
: Este artigo analisa, a partir da Análise de Discurso de filiação pecheuxtiana, a linguagem institucional dos documentos do Sistema de Informações produzidos durante a ditadura militar brasileira (1964-1985). O corpus é composto por relatórios do Arquivo Nacional nos quais emergem as designações “elemento”, “comunista” e “subversivo”, das quais foram extraídas seis sequências discursivas (SDs) selecionadas para a análise. Mobilizam-se os conceitos de condições de produção, formação discursiva, memória discursiva, materialidade linguística, esquecimento e silenciamento, na perspectiva de Pêcheux e Orlandi. O percurso analítico busca compreender como a repetição dessas formulações no interior do aparelho de Estado consolidou um efeito de evidência que dispensava demonstração, ao mesmo tempo em que interditava outras posições que o sujeito classificado poderia ocupar. Discutem-se, ainda, as continuidades entre os mecanismos discursivos do regime e práticas contemporâneas de negação ou relativização da violência de Estado. Conclui-se que a linguagem dos documentos constitui, além de um registro da repressão, sua condição de possibilidade: ao inscrever a violência na ordem do legítimo e do necessário, o discurso do Estado produziu os efeitos de verdade que tornaram viável a própria prática repressiva, revelando o arquivo como espaço de sedimentação ideológica.
Palavras-chave
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Submitted date:
07/27/2026
Accepted date:
09/14/2026
