INCLUSÃO NA BNCC: SILÊNCIOS E APAGAMENTOS NO DISCURSO OFICIAL DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
Mayara Letícia Paiva Magalhães
Resumo
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é apresentada como um documento estruturante da educação básica brasileira. Em seu texto, a inclusão escolar é mobilizada como um valor universal, com foco na equidade e na diversidade. No entanto, sob a perspectiva da Análise do Discurso de linha francesa (Pêcheux, 1990, 1995, Orlandi, 1990, 1992), é possível problematizar como os sentidos da inclusão são mobilizados em tal discurso, quais sujeitos são nomeados e quais são silenciados. O presente artigo tem como objetivo analisar tais apagamentos no discurso da BNCC e compreender seus efeitos ideológicos. O corpus é composto por trechos da BNCC que tratam dos temas “inclusão”, “diversidade”, “equidade”, “educação especial” e “atendimento a sujeitos específicos”. A seleção dos trechos considerou a presença de enunciados que tematizam ou implicam questões de inclusão. Embora a BNCC se apresente como comprometida com os valores de equidade, diversidade e inclusão, a análise discursiva revelou uma série de apagamentos e silenciamentos que fragilizam a efetividade desse compromisso no nível simbólico e prático. O uso de termos genéricos como estratégias de apagamento, ou seja, a ausência de nomeação dos sujeitos, produz efeitos ideológicos que reforçam exclusões. Defende-se que uma política educacional realmente inclusiva precisa reconhecer as diferenças em sua especificidade, nomeando os sujeitos e enfrentando as condições concretas que produzem exclusões no campo da educação.
Palavras-chave
Referências
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Submetido em:
24/02/2026
Aceito em:
09/04/2026
